Piracicaba terá nos próximos dias um representante entre os mais altos escalões do Exército Brasileiro.

O piracicabano Edson Diehl Ripolli será promovido a general de brigada em solenidade em Brasília no próximo dia 9. Sua nomeação foi oficializada por meio de publicação, assinada pela presidente Dilma Rousseff (PT), no Diário Oficial da União no dia 30 de março.

Na mesma publicação, Ripolli foi designado ao cargo de comandante da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão do Exército, em Niterói (RJ), onde nos próximos dois anos terá como uma de suas missões realizar a segurança nas Olimpíadas 2016, na área do Estádio do Maracanã.

Aos 51 anos e filho de Romeu Italo Ripolli (ex-presidente do XV de Piracicaba) e de Maria Apparecida Diehl, ele nasceu no bairro dos Alemães e ainda “mora”, quando possível, na cidade, já que não consegue se desligar das raízes.

Cursou o então ginásio na Escola Estadual Professor Benedito Ferreira da Costa (Befecó) e o ensino médio já na EsPCEx (Escola Preparatória de Cadetes do Exército), em Campinas.

A formação militar, como graduação, foi alcançada em 1985 na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ).

“Na minha família não tinha militares, era uma ideia de criança e nem tinha ciência do que era de fato. Mas prestei o vestibular, em torno de 300 vagas para 8.000 candidatos, e passei”, relatou Ripolli.

A carreira coleciona experiências e condecorações diversas. Sua atuação teve início no 12º Grupo de Artilharia de Campanha, em Jundiaí, dentre outras tantas ocupações.

Nos últimos anos, em 2013 e 2014, atuou em Madri, na Espanha, e a família — a esposa Renata e a filha Karina, de 25 anos — o acompanhou. Este ano voltou para Brasília e após a solenidade de entrega da Espada de General, seguirá para o Rio de Janeiro, onde assumirá o novo comando em 28 de abril.

A rotina intensa, apesar de cansativa, é recompensante, segundo Ripolli. “De tédio a gente não morre”, brincou.

Antes de chegar a general de Brigada, Ripolli foi coronel do Exército. “Em uma turma, cerca de 400 se formam, dos quais no máximo 20 chegam a general. O restante vai para reserva e normalmente volta convocado para os quartéis, e aí não precisa mais de uniforme”, disse.

O Exército conta hoje com 150 generais, sendo 71 de Brigada. Conforme a hierarquia, após a Brigada, há o cargo de General de Divisão e depois o mais alto comando, que é o de General de Exército, que são 17 em todo país.

Bem humorado, Ripolli disse que “se parar por aqui e não for mais promovido” se preparará para ser presidente do XV, ao lembrar de seu falecido pai, que esteve à frente do alvinegro piracicabano por 17 anos, nas décadas de 60, 70 e 80.

Ripolli é o primeiro piracicabano a chegar a um cargo como este. “Existia a perspectiva, mas quando veio a nomeação foi muito emocionante”, afirmou.

Como comandante da Divisão, a missão de Ripolli será a de comandar as unidades de Artilharia na preparação e instrução de soldados. Serão seis unidades sob seu comando, totalizando uma média de 3.000 pessoas. “E nos próximos dois anos, como missão subsidiária, faremos a segurança dos esportes em disputa nas olimpíadas nas proximidades do Maracanã, toda a região do estádio e a Tijuca”, relatou.

Chegar a essa patente, conforme Ripolli, pode ser um estímulo para os jovens que sonham com a carreira militar. “Se tem estabilidade, a rotina é intensa, porém dinâmica. Você não fica rico, mas tem um padrão de vida bom e excelentes oportunidades. Pode ser que outros piracicabanos possam chegar também onde estou”, disse.

‘PARTICIPEI DE MISSÕES IMPORTANTES’ — Ripolli relatou algumas de suas missões mais gratificantes.

Como observador militar das Nações Unidas na Angola, em 1995, ele contou que ficou em um local inóspito e 35 dias sem poder ligar para casa. “O país estava em guerra civil e eu desarmado, pois estava em missão de paz. Sabia que era uma região de conflito. Não tinha como minha família saber se estava vivo ou morto”, relatou.

Em 2010, foi o conselheiro militar principal do escritório das Nações Unidas para a África Ocidental, em Dakar, no Senegal, onde a comunicação já podia ser feita por Skype.

Outra experiência citada por Ripolli foi a visita em um pelotão de fronteira na região conhecida como Cabeça do Cachorro, no Amazonas, em 2007, junto de 15 parlamentares. “Um indiozinho veio nos esperar cantando o hino nacional e emocionou a todos”, relatou.

Segundo Ripolli, o lema “Braço forte, mão amiga” dá ao Exército a função de defesa da pátria e a atribuição de auxílio à comunidade em situações de calamidades públicas, conflitos ou funções cotidianas. “Como uma assistência à vacinação, pacificação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio, por exemplo. A gama de atividades é muito grande”.

Sobre a profissão, o novo general a comparou ao “sacerdócio”. “Para mim sempre valeu a pena, acabei tendo sorte e missões relevantes. Tive a oportunidade de ajudar muita gente”, disse.

Fonte: Jornal de Piracicaba